15/07/2026 15:57:11
Recentemente, casos de pacientes que enfrentam graves complicações devido ao uso de preenchedores definitivos na face voltaram a ganhar relevância na mídia e nas redes sociais. São relatos de pessoas que realizaram procedimentos há 10, 15 ou até 20 anos, e que hoje sofrem com episódios de inchaço crônico, deformidades, nódulos endurecidos e até riscos de necrose, o que acendeu um alerta na área da saúde estética e da cirurgia plástica.
O principal causador desse tipo de intercorrência tardia é o polimetilmetacrilato, popularmente conhecido como PMMA. Trata-se de um polímero sintético que foi amplamente utilizado no início dos anos 2000 em procedimentos de bioplastia, prometendo modificações definitivas e volumização facial a baixo custo e sem a necessidade de cirurgia imediata.
No entanto, por ser um material sintético que o corpo humano é incapaz de absorver ou degradar, ele costuma agir como um corpo estranho a longo prazo. O médico otorrinolaringologista e cirurgião Dr. Marcio Freitas explica detalhadamente de que modo o organismo reage de forma tardia a esse tipo de substância plástica. Segundo o profissional, "o PMMA, por ser um derivado do petróleo e não ser reabsorvido pelo organismo, forma como se fosse grânulos, causando um processo inflamatório crônico dentro do tecido. O que resta, é um material meio endurecido dentro dos tecidos, que pode comprimir vasos, deformar, e acarretar uma série de problemas”, aponta.
A jornada de pacientes que necessitam retirar o PMMA do rosto, especialmente de áreas expressivas e altamente vascularizadas, como o nariz, é um grande desafio para a medicina. Ao contrário dos produtos modernos e temporários, que se mantêm concentrados em uma área delimitada, o PMMA se infiltra, espalha-se e se funde intimamente aos músculos, à gordura e aos tecidos saudáveis do paciente.
Por isso, o médico explica que a cirurgia acaba sendo extremamente complexa. “O PMMA, quando colocado, não fica circunscrito a um tecido, o que torna muito difícil a remoção. Há riscos relativamente à necrose da pele e à destruição das cartilagens”, complementa o especialista.
Felizmente, a cirurgia plástica e os tratamentos estéticos evoluíram drasticamente. Hoje, o uso de plásticos injetáveis ou qualquer substância definitiva na face é fortemente desaconselhado pela comunidade científica internacional, dando lugar a soluções infinitamente mais seguras, previsíveis e totalmente compatíveis com o organismo. Aos que buscam realizar modificações estéticas ou estruturais na face e no nariz atualmente, existem materiais reabsorvíveis padrão-ouro recomendados.
"Hoje em dia, existem materiais que são reabsorvíveis, como o ácido hialurônico, que dura por um período. E ainda tem a vantagem de reverter o processo se for da vontade do paciente, aplicando uma enzima que se chama hialuronidase. Por exemplo, tive uma paciente que foi fazer blefaroplastia e ela havia colocado ácido hialurônico abaixo das pálpebras, anteriormente, com outro profissional. Isso ocasionou edema e deformou um pouco a face dela. Depois da aplicação da hialuronidase, removemos todo esse ácido hialurônico o resultado final foi fantástico", conta o Dr Marcio Freitas.
Diante desse cenário de transição da medicina estética, casos de complicações tardias servem como uma lição definitiva sobre a importância de priorizar a saúde a longo prazo em detrimento de soluções imediatistas ou promessas milagrosas de baixo custo. Para quem pretende planejar novas modificações estéticas na face e no nariz, a escolha por substâncias biocompatíveis e, acima de tudo, o amparo de um profissional qualificado e com sólida formação cirúrgica são os únicos caminhos possíveis para garantir um resultado harmonioso, previsível e sem riscos à integridade da saúde.
Sobre o Dr. Marcio Freitas
O Dr. Marcio Freitas é médico otorrinolaringologista, com 26 anos de formação pela Santa Casa de São Paulo, onde também realizou residência médica. Atua há mais de 23 anos em Jaraguá do Sul, com sólida experiência clínica e cirúrgica. É especialista em distúrbios respiratórios e do sono, apneia do sono, cirurgias nasais funcionais e estéticas, cirurgia plástica da face, rinoplastia, blefaroplastia, otoplastia e lifting facial. Possui especialização em Cirurgia Plástica da Face pela Universidade de Miami, no Jackson Memorial Hospital. Também é professor assistente na Harvard University, unindo prática médica de excelência, atualização constante e atuação acadêmica internacional. Saiba mais em @clinica.drmarciofreitas e https://drmarciofreitas.com.br.